Saturday, August 9, 2014

A horta de meu pai (Perus, começo dos anos 80)




A horta de meu pai (Perus, começo dos anos 80)

Eu passava a mão por cima do portão e abria a tramela. Vinha sem avisar. Caminho livre, meu dois filhos maiores, mas muito pequenos então, corriam em direção ao fundo quintal. O lugar era Perus, na casa de meus pais. Era o começo dos anos oitenta.
Num terreno de mais de 500 metros, meu pai tinha construído uma casa pequena, enconstada lá no fundo, do lado direito. Queria o máximo de espaço para sua horta, para suas plantas. E, sempre que chegava, lá estava ele, enxada na mão, cuidando dos alfaces, dos tomates, das batatas. Quando meus pequenos saíam correndo em sua direção, porém, tudo parava. Ele largava o que estava fazendo, levantava a cabeça, e dava um enorme sorriso. Com seu jeito simples, ficava, embevecido, repetindo o nome dos netinhos. Era só felicidade.
Tenho saudades daquela época feliz. Da casinha, da horta, de meus pais. Mas o que eu não consigo mesmo esquecer, é daquele sorriso largo, aberto, que ele dava ao ver os netinhos. Dá uma saudade no peito, uma saudade danada. Agora que tenho netos também, eu entendo sua felicidade. Não dá para voltar no tempo, mas está tudo na memória. Tudo, gravadinho, em 3D, com detalhes, no meu cérebro, no meu coração.




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